Detalhes do ataque do morcego-vampiro
Em um incidente raro, um homem de 33 anos foi atacado por um morcego-vampiro enquanto se encontrava na Praia do Mangue, em Ilha Grande, no Rio de Janeiro. O ataque ocorreu no dia 17 de março de 2024. O morador não sentiu a mordida e somente percebeu o que havia acontecido após encontrar sangue no chão, resultante de um ferimento em um dos dedos do pé. De acordo com relatos, a alimentação do morcego se deu por meio da espoliação sanguínea, onde o animal suga o sangue de sua vítima.
A situação levou o homem a procurar atendimento médico, primeiro em uma unidade de saúde local e depois em Angra dos Reis, onde recebeu a profilaxia antirrábica como prevenção contra o vírus da raiva, uma preocupação significativa associada a este tipo de ataque.
Análise dos pesquisadores da UERJ
Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) analisaram o caso e publicaram um artigo científico sobre o tema. O estudo foca nos riscos da transmissão da raiva e discute os desafios para a vigilância e prevenção da doença no Brasil. Os autores ressaltam que apesar de haver mais de 1.470 espécies de morcegos no mundo, apenas três se alimentam exclusivamente de sangue, incluindo os morcegos-vampiros, que vão desde o norte do México até o norte da Argentina.

Embora o morcego-vampiro comum, conhecido como Desmodus rotundus, seja frequentemente associado a mamíferos, novas pesquisas mostraram que as outras duas espécies, tradicionalmente ligadas ao sangue de aves, também podem explorar mamíferos, incluindo humanos. O fenômeno é considerado raro e, no Brasil, os registros de ataques são mais comuns nas regiões Norte e Nordeste, particularmente em comunidades indígenas e ribeirinhas.
A frequência de ataques de morcegos-vampiros
Na região de Ilha Grande, há uma diversidade considerável de morcegos, com 37 espécies registradas. Antes do incidente com o morador, houve relatos de ataques a cães e galinhas na mesma localidade. O estudo sugere que humanos podem se tornar uma fonte alternativa de alimento para esses morcegos, apesar de ser um comportamento incomum. Histórias de ataques a cães são mais frequentes na ilha e em outras áreas do Rio de Janeiro, geralmente registrando ferimentos próximos aos pés.
Diante desse contexto, pesquisadores também conduziram uma operação para capturar e examinar morcegos na região em resposta ao ataque. Um morcego hematófago foi coletado para análise laboratorial, embora o resultado dos testes realizados para verificar a presença do vírus da raiva não tenha sido divulgado até o presente momento.


